Curso MOOC de Inclusão de Pessoas com Deficiência para Gestores de RH

Módulo 1 – Introdução à Inclusão de Pessoas com Deficiência 

No final deste módulo, os formandos serão capazes de:

  • Definição de conceitos-chave: deficiência, acessibilidade, inclusão e equidade
  • Reconhecer a prevalência e o impacto da deficiência na força de trabalho europeia
  • Compreender os argumentos de negócio, legais e de direitos humanos para a inclusão da deficiência
  • Articular as vantagens da inclusão de pessoas com deficiência
  • Identificar barreiras à inclusão nas estruturas organizacionais
  • Desenvolver um plano fundamental para iniciar os esforços de inclusão. 
  • Valorize o mérito das diversas habilidades na força de trabalho.
  • Comprometer-se com o desenvolvimento pessoal e organizacional contínuo em práticas de inclusão. 

Vídeo Introdutório

Introdução: Definições e Quadros Conceptuais.

¿O que são deficiências?

A deficiência abrange diversas condições físicas, cognitivas, sensoriais e emocionais que podem limitar a forma como uma pessoa funciona na vida quotidiana. 

Refere-se não só à perda de funções, mas também às barreiras que a sociedade cria ao não se adaptar às suas necessidades. Cada deficiência é única, afetando cada pessoa de forma diferente.

Outras Definições Principais

Acessibilidade: esta é a condição que ambiências, processos, bens, produtos e serviços, bem como objetos, instrumentos, ferramentas e equipamentos devem cumprir para serem compreensíveis, utilizáveis e exequíveis por todas as pessoas em condições de segurança e conforto e da forma mais autónoma e natural possível.

Inclusão É uma abordagem social que reconhece e valoriza as capacidades e o potencial únicos de cada indivíduo, procurando garantir que todas as pessoas sejam membros ativos da sociedade em pé de igualdade.

Capital próprio O processo de ser justo para com todas as pessoas e grupos, abordando a desigualdade atual e histórica para trabalhar a favor da igualdade de resultados. A equidade pode envolver o uso de medidas especiais temporárias para compensar o preconceito e a discriminação históricos e sistémicos enfrentados por grupos marginalizados. 

Questionário

Trabalho e Incapacidade

Foram feitos progressos, mas continuam a existir disparidades significativas. Em Espanha, apenas cerca de 28,1 % das pessoas com deficiência estão empregadas, em comparação com 51,71 % da população em geral. A sua taxa de desemprego é também consideravelmente mais elevada, situando-se nos 19,71 % contra 11,81 %.

As barreiras ao acesso ao emprego afetam diretamente a autoestima e limitam a capacidade de construir um caminho para a vida independente.

Tipos de deficiência:

Deficiência física ou motora: 

Este tipo de deficiência afeta a mobilidade de uma ou mais partes do corpo. Dentro desta categoria podemos distinguir dois subtipos: 

Funcional Envolve dificuldades no funcionamento do corpo, tais como como andar, mover ou manipular objetos. 

Biológico Afeta órgãos internos e pode não ser visível. 

Por exemplo, doenças cardíacas ou respiratórias que limitem um capacidade física de uma pessoa.

Deficiência sensorial: 

Este tipo de deficiência afeta um ou mais dos sentidos. As deficiências sensoriais mais conhecidas são as visuais e auditivas, mas também pode afetar a fala, o tato, o paladar… 

Deficiência intelectual: 

As pessoas com deficiência intelectual podem ter dificuldades de aprendizagem, raciocínio e adaptação à vida quotidiana. Contudo, essas dificuldades não significam que não possam desempenhar trabalhos qualificados.

Incapacidade psicossocial: 

Isto está relacionado com a saúde mental, como depressão, esquizofrenia ou transtorno bipolar. A saúde mental é precisamente um dos aspetos de que as empresas mais cuidam para os seus colaboradores. Que tal dar um passo em frente e incorporar o talento de pessoas com deficiência psicossocial na sua empresa?. 

Múltiplas deficiências 

A deficiência múltipla ocorre quando uma pessoa apresenta dois ou mais tipos de deficiência, como física, sensorial ou intelectual.

Questionário

Modelos de Deficiência ou Deficiência ao longo da História

Temos 3 Modelos Principais. Filantropia, Médico-Reabilitativo e Sociodireitos.

 Um modelo baseado em tradições e crenças morais e/ou religiosas. Neste modelo, a deficiência é vista como um defeito causado por falha moral ou pecado, pelo que a deficiência está geralmente associada a sentimentos de vergonha e/ou culpa.

De acordo com o modelo tradicional, moral ou religioso, a deficiência implica dependência e vulnerabilidade, levando à caridade e à cura. Na verdade, como veremos, esta abordagem coincide em parte com o quadro teórico do modelo médico, reabilitador ou individual, que manteve a ideia de que “as pessoas com deficiência deviam ser tratadas com condescendência, abençoadas, deixadas morrer da sua doença, institucionalizadas, curadas ou reabilitadas”.”

Segundo o modelo médico, reabilitador ou individual, ter uma deficiência é sinónimo de possuir um corpo defeituoso, lesado ou deficiente que condiciona e restringe a experiência de vida da pessoa com deficiência.

A deficiência é atribuída ao indivíduo e é vista como uma variação negativa ou desvio da norma biológica. O modelo médico, reabilitador ou individual baseia-se na ideia de que os problemas e dificuldades vivenciados pelas pessoas com deficiência estão diretamente relacionados à sua deficiência física, sensorial ou intelectual.

Modelos de Deficiência ou Deficiência ao longo da História

Modelo Social e de Direitos: O conceito central da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência de 2007. As barreiras no ambiente são o que criam a deficiência; a falta de acessibilidade obstrui.

A premissa fundamental é que são pessoas com direitos, com foco nas suas capacidades e funcionalidade. Serviços, edifícios, espaços, ofertas, transportes e materiais devem ser inclusivos e acessíveis.

Este modelo tem as suas raízes nos movimentos sociais das décadas de 1960 e 1970 e afirma que:

Os problemas enfrentados pelas pessoas com deficiência não são causados pelas suas limitações, mas pela forma como a sociedade falha em organizar-se de modo a permitir a inclusão das pessoas com deficiência, transitando de um problema médico para uma questão de direitos humanos.

A inclusão como mentalidade

O objetivo é “promover, proteger e assegurar a plena e igualitária fruição de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com deficiência, e promover o respeito pela sua dignidade inerente”.

  • Definição Social de DeficiênciaAfasta-se da ideia de deficiência como um problema individual. A maioria das definições inclina-se para uma definição como “a deficiência é um conceito em evolução e resulta da interação entre pessoas com deficiências e barreiras atitudinais e ambientais que dificultam a sua plena e efetiva participação”.
  • Discriminação como uma Violação: O texto da Declaração dos Direitos Humanos afirma que “a discriminação contra qualquer pessoa com base na deficiência constitui uma violação da dignidade e do valor inerentes ao ser humano”.
  • Princípios Gerais (Artigo 3.º): Os direitos das pessoas com deficiência assentam nos princípios fundamentais dos direitos humanos:

Respeito pela dignidade inerente e pela autonomia individual, incluindo a liberdade de tomar as próprias decisões.

  • Não discriminação.
  • Participação plena e efetiva e inclusão na sociedade.
  • Respeito pela diferença e aceitação da deficiência como parte da diversidade humana.
  • Igualdade de oportunidades.
  • Acessibilidade.
  • Igualdade entre homens e mulheres.

O principal argumento positivo é que a inclusão deixa de tratar a deficiência como um problema médico ou de caridade e reconhece-a como uma questão de direitos humanos.

A inclusão baseia-se no “reconhecimento da dignidade e do valor inerentes” de todas as pessoas. A discriminação baseada na deficiência é, portanto, uma “violação da dignidade”. O objetivo da inclusão é promover e proteger o “respeito pela sua dignidade inerente”.

A inclusão é positiva porque garante a “universalidade, indivisibilidade, interdependência e inter-relação de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais”. Sem inclusão, os direitos das pessoas com deficiência são violados em todo o mundo.

A inclusão promove o “respeito pela diferença e a aceitação das pessoas com deficiência como parte da diversidade humana e da humanidade”.

Questionário

Deficiência e Barreiras:

Pergunta Aberta: Depois de tudo o que vimos, como definiria uma barreira?

Barreiras à inclusão dentro das estruturas organizacionais são frequentemente sistémicas e estão enraizadas em processos formais e informais, políticas e normas culturais. Estas barreiras impedem os funcionários, particularmente os de grupos sub-representados, de sentirem um sentido de pertença, de terem oportunidades iguais e de contribuírem plenamente.

Políticas e Práticas Discriminatórias:

  1. Recrutamento e Promoção: Processos de recrutamento que dependem unicamente de canais limitados ou de “ajuste à cultura” em vez de “adição à cultura” podem perpetuar uma força de trabalho não diversificada e não inclusiva. Decisões de promoção baseadas em viés de afinidade em vez de mérito podem criar uma perceção de injustiça e minar a confiança.
  2. Desigualdade salarial: A falta de transparência salarial pode perpetuar disparidades (por exemplo, a disparidade salarial entre géneros), levando a sentimentos de desvalorização e exclusão.
  3. Estruturas de Suporte Inadequadas: A ausência de quadros, políticas e procedimentos claros para a diversidade e inclusão, ou a falha em colocá-los em prática diária, cria um ambiente onde comportamentos excludentes podem prosperar.

Pensa nisso:

Sim. Existem várias barreiras de precedência que reconheço tanto na minha organização como noutras com as quais estou familiarizado. Se me fosse dada a tarefa pelo chefe de RH de tornar o meu local de trabalho (ou um outro com o qual esteja familiarizado) mais inclusivo, implementaria a seguinte política: **Política de Mentoria e Patrocínio Inclusiva:** Definiria um programa formal de mentoria e patrocínio com o objetivo de apoiar ativamente o desenvolvimento e a progressão de funcionários de grupos sub-representados. Isto envolveria: * **Correspondência Estratégica:** Criar um sistema onde os funcionários considerados com potencial de promoção ou que procuram desenvolvimento específico fossem estrategicamente correspondidos com mentores e patrocinadores experientes, com um foco deliberado em garantir que os mentores e patrocinadores fossem de diversos contextos e níveis hierárquicos. * **Formação e Apoio aos Mentores/Patrocinadores:** Fornecer formação obrigatória a todos os mentores e patrocinadores sobre vieses inconscientes, competência cultural e as melhores práticas para apoiar indivíduos de forma inclusiva. Seriam oferecidos recursos e apoio contínuos para garantir que estes se sentissem equipados e confiantes nas suas funções. * **Definição de Objetivos Claros:** Estabelecer objetivos claros e mensuráveis para as relações de mentoria/patrocínio, focados em competências específicas, experiência de projetos, oportunidades de visibilidade e progresso na carreira. * **Responsabilização:** Integrar a participação e o sucesso nestes programas como parte da avaliação de desempenho dos mentores e patrocinadores, incentivando uma abordagem proativa e comprometida. * **Avaliação e Adaptação:** Implementar um mecanismo de avaliação regular para recolher feedback de participantes e mentores/patrocinadores, permitindo a adaptação e melhoria contínua do programa. Esta política abordaria barreiras de precedência ao: * **Desafiar o status quo:** Ao identificar e apoiar ativamente talentos de grupos sub-representados, contrariaria a tendência de promoção baseada em redes informais e afinidades preexistentes. * **Aumentar a visibilidade:** Os programas de patrocínio garantiriam que os funcionários com potencial, mas que talvez não tivessem oportunidades de alcançar visibilidade, recebessem o apoio necessário para serem notados e considerados para oportunidades críticas. * **Desenvolver competências e confiança:** As relações de mentoria ajudariam a preencher lacunas de competências e a aumentar a confiança dos funcionários, permitindo-lhes navegar melhor as complexidades organizacionais e aspirar a posições de liderança. * **Promover uma cultura de inclusão:** Ao investir ativamente no desenvolvimento de todos os funcionários, a organização sinalizaria um compromisso genuíno com a equidade, fomentando um ambiente onde todos se sentem valorizados e com oportunidades de sucesso.

Exercício de Árvore de Decisão

Configuração do Cenário:

Cenário: A gerência decidiu realizar a sua próxima reunião trimestral num edifício histórico recentemente restaurado. Um funcionário chamado Klaas, com deficiência física ou motora, relata que a única casa de banho disponível no piso da reunião requer a subida de três degraus, pois o Design Universal não foi implementado durante a restauração.

Atividade Prática

Atividade Prática – Tarefa de Aplicação em Contexto Laboral

Título: Inclusão em Ação: Os Seus Primeiros Passos

Instrução:
Vamos traduzir o que aprendeu em mudanças práticas que poderá implementar no seu local de trabalho atual ou futuro.

Instruções para o Aluno:
Pense na sua organização (ou numa anterior com a qual esteja familiarizado). Utilize os seguintes tópicos para orientar o seu planeamento.

Tarefa:

  • Identificar um política, processo ou ambiente isso pode criar barreiras não intencionais para pessoas com deficiência.
  • Descrever uma ação realista poderia propor (ou propor) melhorar a inclusão nessa área.
  • Qual seria o primeiro passo para que essa mudança aconteça?

Tempo Estimado para Conclusão: 10 minutos
Escreva nas suas notas e guarde para referência futura.

Estudo de Caso

Empresa - MAPFRE

Estudo de Caso – Reflexão

Agora que leu o estudo de caso, reserve um momento para refletir sobre o seguinte:

  • Na sua opinião, as ações tomadas pela empresa foram suficientes para alcançar o que pretendiam?
    Houve momentos cruciais em que algo pequeno fez uma grande diferença?
  • Se estivesse no lugar do gestor de Recursos Humanos, o que teria feito de igual ou diferente? Teria ido mais longe?
    Porquê?

Tempo estimado: 5–7 minutos
Escreva as suas reflexões nas suas notas ou diário de aprendizagem.

Avaliação Final

Mais recursos

 

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Alunos com Deficiência e Educação Inclusiva em Espanha 

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Estratégia de Desenvolvimento Sustentável 2030 

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Requisitos e Normas Nacionais de Acessibilidade para Produtos e Serviços no Mercado Único Europeu: Visão Geral e Exemplos 

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A União Europeia Ato Europeu de Acessibilidade (AEA) estabelece normas comuns de acessibilidade para produtos e serviços em todo o mercado único

Inclusão de Pessoas com Deficiência no Trabalho 2024

Uma Perspetiva Global 

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Inquirir 10.000 indivíduos de 20 países para compreender as experiências no local de trabalho de pessoas com deficiência, condições de saúde crónicas e pessoas neurodivergentes

O Relatório da Economia Global da Deficiência: 2024

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Incapacidade do ponto de vista do Mercado

Fontes e Referências

Fim do Módulo

Financiado pela União Europeia. As opiniões e pontos de vista expressos são, no entanto, os do(s) autor(es) e não refletem necessariamente os da União Europeia ou da Agência Executiva Europeia para a Educação e Cultura (EACEA). Nem a União Europeia nem a EACEA podem ser responsabilizadas pelas mesmas.

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