Curso MOOC de Inclusão de Pessoas com Deficiência para Gestores de RH

Módulo 2 – Promover uma cultura de inclusão das pessoas com deficiência 

No final deste módulo, os formandos serão capazes de:

Competências práticas que o curso o ajudará a desenvolver: 

  • Reconhecer o papel da liderança na promoção da inclusão. 
  • Avaliar a cultura organizacional atual no que diz respeito à inclusão de pessoas com deficiência: utilizar ferramentas de diagnóstico (inquéritos sobre o ambiente organizacional, auditorias físicas e digitais, entrevistas). 
  • Conceber estratégias para promover valores e comportamentos inclusivos: elaborar planos de formação, comunicação e governação; definir indicadores-chave de desempenho (KPI) e mecanismos de acompanhamento. 
  • Gerir processos operacionais: conceber procedimentos para adaptações razoáveis, contratação inclusiva e aquisições responsáveis.

Vídeo Introdutório

Introdução: Definições e Quadros Conceptuais.

Valores e crenças: Estes são os princípios fundamentais partilhados pelos colaboradores que definem o que é importante para a organização. 

Práticas e normas: As regras, políticas e hábitos que determinam a forma como as tarefas são realizadas e como as pessoas interagem no dia a dia. 

Estrutura organizacional: A forma como a empresa está organizada, incluindo a sua hierarquia e os estilos de liderança. 

Talento humano: As características dos colaboradores, as suas expectativas, motivações e o ambiente social que criam. 

Ambiente organizacional: O ambiente de trabalho físico, a tecnologia utilizada e a forma como a organização se relaciona com o seu ambiente externo. 

Visão e missão: A orientação que a empresa define para o futuro e o propósito da sua existência.

Outras definições importantes

Cria um sentimento de pertença nos membros e ajuda-os a identificarem-se com a organização.

Define a forma correta de agir, pensar e sentir, influenciando a tomada de decisões.

Funciona como um mecanismo interno para alinhar os colaboradores com a estratégia e otimizar o funcionamento.

Uma cultura empresarial sólida pode atrair novos talentos e reter os colaboradores atuais.

É um fator fundamental para a gestão da transformação e da adaptação organizacional às mudanças.

Cultura de trabalho e deficiência

A GSL (General Logistics System) é um exemplo de empresa inclusiva. 

A GLS Espanha oferece formação específica, adaptada às tarefas de cada novo colaborador, eliminando as barreiras à integração e facilitando a sua plena integração. 

A estratégia de inclusão da empresa tem origem na sua Declaração sobre a Diversidade, uma série de objetivos que estabeleceram. 

Entre elas, destacam-se: garantir a igualdade de acesso à formação e às promoções; promover equipas intergeracionais e diversificadas, incentivando uma cultura empresarial centrada no respeito. Estes são os alicerces que reforçam a coesão interna e alinham a empresa com os valores que a sociedade exige: empatia, justiça e sustentabilidade social.

Introdução: Inclusão como política ou inclusão como cultura?

Breve enumeração dos elementos que constituem a cultura de uma empresa:

Valores: Os valores da minha empresa estão alinhados com a inclusão e a igualdade?

Normas: Existem normas específicas no «regulamento» da minha empresa relativas à deficiência? 

Símbolos: Os colaboradores com deficiência sentem-se representados nos símbolos da organização?

Breve enumeração dos elementos que constituem a cultura de uma empresa:

Práticas do dia-a-dia: Como é o dia-a-dia na vossa organização? As pessoas sentem-se integradas ou incluídas? 

Estruturas: A estrutura incentiva o desenvolvimento e a promoção das pessoas com deficiência? Existem pessoas com deficiência nos cargos de direção da organização?

Recursos: Considera que os recursos da empresa estão efetivamente ao dispor de todos os colaboradores, ou existem recursos que são difíceis de utilizar por uma pessoa com deficiência?

A principal diferença é que a inclusão como uma política é um conjunto formal de regras e procedimentos destinados a garantir a equidade e a não discriminação, ao passo que a inclusão como cultura é a prática concreta e orgânica em que todos os colaboradores se sentem valorizados, ouvidos e capacitados para participar plenamente. As políticas fornecem a estrutura, mas a cultura é o comportamento e o ambiente vividos no dia-a-dia.

O principal objetivo deve ser transformar as políticas da empresa em cultura empresarial.

Atividade - Modelos de deficiência: qual é o modelo subjacente na sua organização?

Pense por um momento em qualquer empresa em que já tenha trabalhado e tente recordar um exemplo em que a cultura se tenha desviado das políticas estabelecidas. 

Porque achas que isso aconteceu?

Tempo estimado: 5 a 7 minutos

Escreve a tua reflexão nas tuas notas ou no teu diário de aprendizagem

3 modelos: Beneficente, Médico e baseado nos Direitos.

Caridade:
Médico-reabilitador:
Modelo Social e de Direitos:

Um modelo baseado em tradições e crenças morais e/ou religiosas. Esta abordagem coincide, em parte, com o quadro teórico do modelo médico, de reabilitação ou individual, que tem defendido a ideia de que "as pessoas com deficiência deviam ser tratadas com condescendência, institucionalizadas, curadas ou reabilitadas".

De acordo com a abordagem médico-reabilitativa, ter uma deficiência é sinónimo de possuir um corpo defeituoso, com limitações ou com deficiências, o que condiciona e restringe a experiência de vida da pessoa com deficiência.

A deficiência é atribuída ao indivíduo e é vista como uma variação ou desvio negativo em relação à norma biológica.

São as barreiras existentes no ambiente que criam a deficiência; a falta de acessibilidade constitui um obstáculo. Os problemas enfrentados pelas pessoas com deficiência não são causados pelas suas limitações, mas pela forma como a sociedade não se organiza de modo a permitir a inclusão dessas pessoas, o que faz com que a questão deixe de ser uma questão médica para se tornar uma questão de direitos humanos.

Reflita sobre estes modelos e tente associá-los aos comportamentos que observa nas organizações que conhece. Como é que as pessoas pensam? Quão comuns acha que são estes três modelos?

Tempo estimado: 5 a 7 minutos

Escreve a tua reflexão nas tuas notas ou no teu diário de aprendizagem

Situação atual da Cultura Empresarial:

  • Dados da Deloitte (2024) revelam que a inclusão de pessoas com deficiência nas empresas continua a enfrentar resistências culturais e operacionais:
  • 74 % das pessoas com deficiência que solicitaram adaptações razoáveis viram pelo menos um dos seus pedidos ser recusado, principalmente por motivos de custo.
  • Mais de 40% dos colaboradores já foram vítimas de comportamentos não inclusivos (microagressões, assédio ou discriminação).
  • A ausência de modelos de liderança visíveis com deficiência limita a identificação e a confiança interna.
  • As políticas de inclusão tendem a concentrar-se nos departamentos de recursos humanos, sem um compromisso abrangente por parte da direção.

Questionário

Fatores Económicos e de Mercado

O que é o Design Universal?

Fatores económicos e de mercado

O mercado da deficiência representa 18,3 biliões de dólares (incluindo as pessoas com deficiência e o seu ambiente de consumo). No entanto, a maioria das empresas ainda não aproveitou este potencial porque:

  • Eles interpretam a deficiência numa perspetiva identitária (conformidade ou reputação), em vez de a encararem sob a perspetiva da funcionalidade ou da inovação.
  • Verifica-se uma falta de liderança estratégica que considere a inclusão como uma vantagem competitiva nas áreas do design, do talento e da experiência do cliente.
  • Apenas as grandes empresas tecnológicas (Alphabet, Apple) conseguiram transformar a acessibilidade numa fonte de inovação e rentabilidade.
  • Por conseguinte, o atual contexto económico aponta para uma redefinição empresarial da inclusão como uma oportunidade de mercado e uma fonte de eficiência operacional, e não apenas como um dever moral.

A Avaliação de Impacto da Comissão Europeia já tinha demonstrado, em 2015, que:

  • 97 % dos europeus apoiam a plena participação das pessoas com deficiência na sociedade.
  • No entanto, mais de 60 % consideram que existem obstáculos persistentes nos setores dos transportes, das TIC e do ambiente construído.
  • Tanto os cidadãos como as empresas apelaram a uma maior coerência regulamentar, a mecanismos de controlo eficazes e a formação especializada para o pessoal e as PME.

Isto reflete o facto de que, embora a consciência social tenha evoluído, a mudança estrutural na cultura empresarial continua a depender de uma liderança empenhada, de formação contínua e de recursos específicos.

Tendências na Cultura Organizacional Europeia

 

 Aspecto

 Situação atual

Fonte principal

 Compromisso Visível

O número de empresas com políticas públicas de diversidade está a aumentar, mas poucas as associam a resultados mensuráveis.

Deloitte, 2024

 Acessibilidade Universal

Maior conformidade regulamentar por parte da EAA, embora com variações entre os Estados-Membros.

White & Case, 2024

 Liderança Inclusiva

Presença limitada de líderes com deficiência; são necessários modelos a seguir visíveis.

Deloitte, 2024

 Responsabilização

A diretiva relativa aos relatórios de sustentabilidade das empresas introduz a obrigação de apresentar relatórios sobre a deficiência; a sua implementação ainda se encontra numa fase inicial.

White & Case, 2024

 Inovação a partir da Funcionalidade

As empresas líderes integram o design inclusivo na sua I&D; a maioria continua a considerá-lo uma despesa.

Retorno do Grupo de Incapacidade, 2024

Questionário

Conclusão

A cultura organizacional europeia no que diz respeito à inclusão das pessoas com deficiência está a evoluir de um modelo baseado no bem-estar ou no cumprimento de normas para um modelo estratégico, sustentável e orientado para os valores.

Os principais motores da mudança são:

  • uma liderança visível e responsável,
  • a responsabilidade das empresas impulsionada pelas novas diretivas europeias
  • a integração da acessibilidade no design, na inovação e no talento.

No entanto, persistem barreiras culturais, percetivas e relacionadas com os recursos, que impedem a inclusão plena. O desafio atual consiste em passar da sensibilização para a corresponsabilidade institucional, consolidando uma cultura inclusiva baseada nos direitos, na sustentabilidade e na competitividade.

Estratégias: De cima para baixo

Estratégias transversais:

A combinação das ações acima referidas pode ser integrada num plano de cultura inclusiva em três fases, como este:

Exercício de Árvore de Decisão

Configuração do Cenário:

 A TechGlobal.SA pretende passar de uma estratégia de mero cumprimento formal para uma cultura de inclusão real e sustentável.

Atividade Prática

Atividade Prática – Tarefa de Aplicação em Contexto Laboral

Título: Estratégias a longo prazo. 

Instruções para o Aluno: Tendo em conta as informações anteriores, especialmente as estratégias.

Tarefa:

  • Tenta traçar um plano que abranja um período superior a 1 ano. 
  • Descreva um KPI que introduziria na sua organização para garantir que a inclusão está a melhorar.
  • Por onde começarias? De cima para baixo? De baixo para cima?
  •  Tempo Estimado para Conclusão: 15 minutos
    Escreva nas suas notas e guarde para referência futura.

Estudo de Caso

Estudo de Caso – Reflexão

Agora que leu o estudo de caso, reserve um momento para refletir sobre o seguinte:

  • Na sua opinião, as ações tomadas pela empresa foram suficientes para alcançar o que pretendiam?
    Houve momentos cruciais em que algo pequeno fez uma grande diferença?
  • Se estivesse no lugar do gestor de Recursos Humanos, o que teria feito de igual ou diferente? Teria ido mais longe?
    Porquê?

Tempo estimado: 5–7 minutos
Escreva as suas reflexões nas suas notas ou diário de aprendizagem.

Avaliação Final

Mais recursos

 

Título 

Digitar 

Link 

É útil porquê?

Inclusão das pessoas com deficiência no local de trabalho em 2024: uma perspetiva global.

PDF 

(link) 

uma análise aprofundada das experiências no local de trabalho

ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 2030 

PDF

(link)

Planos espanhóis para os ODS

Grupo «Return on Disability». (2024). A Economia Global da Deficiência 2024.

PDF

(link)

Perspetiva de mercado sobre a deficiência

Organização Internacional do Trabalho (OIT). (2011). A deficiência no local de trabalho: organizações patronais e redes empresariais (Documento de Trabalho n.º 6). OIT.

PDF

(link)

Apresenta informações sobre a forma como as organizações representativas do mundo empresarial abordam a questão da deficiência

Comissão Europeia, Direção-Geral da Justiça e dos Consumidores e Risk & Policy Analysts. (2025). Argumento de negócio a favor da diversidade e da inclusão no local de trabalho: impacto das políticas de diversidade e inclusão da Comissão Europeia: relatório final. Serviço das Publicações da União Europeia.

LINK para DESCARREGAR

(link)

Este relatório analisa os argumentos económicos a favor da diversidade e inclusão (D&I) no local de trabalho

Fontes e Referências

  1. Rede Académica de Peritos Europeus em Deficiência (ANED). (2013). Requisitos e normas nacionais de acessibilidade para produtos e serviços no mercado único europeu: visão geral e exemplos. (Compilado por M. Priestley). ANED.
  2. Aksnes, S. Y., & Ulstein, J. (2024). Emprego Sustentável para Pessoas com Deficiência: Uma Revisão de Escopo sobre Práticas no Trabalho e Resultados Empregatícios Positivos. Scandinavian Journal of Disability Research, 26(1), 189–210.
  3. Bigby, C., & Hough, A. (Eds.). (2024). Prática de Deficiência: Salvaguarda da Prestação de Serviços de Qualidade. Palgrave Macmillan, Springer Nature Singapore Pte Ltd.
  4. Comissão Europeia. (2010). O Fundo Social Europeu e as Pessoas com Deficiência. União Europeia.
  5. Comissão Europeia. (s.d.). Pessoas com deficiência [Página web institucional].
  6. Comissão Europeia. (s.d.). Estratégia sobre os direitos das pessoas com deficiência [Página web institucional].
  7. Governo de Espanha, Ministério dos Direitos Sociais e Agenda 2030. (2022). Estratégia Espanhola sobre Deficiência 2022-2030: Para o acesso, gozo e fruição dos direitos humanos das pessoas com deficiência.
  8. Gould, R., Parker Harris, S., & Caldwell, K. (2018). Relatório de Investigação da ADA: Cultura do Local de Trabalho e a ADA. Rede Nacional ADA Centro de Tradução de Conhecimento.
  9. Escritório Internacional do Trabalho (OIT). (s.d.). Apêndice: Referências (Extractos de documentos sobre a ação sindical).
  10. Observatório Estatal da Deficiência (OED). (2018). Quase 30 por cento da população com deficiência na UE está em risco de pobreza ou exclusão social.
  11. Pacto Mundial da ONU (Rede Portuguesa). (s.d.). Deficiência e empresas: inclusão laboral com a Agenda 2030.
  12. White & Case LLP, Disability:IN, & Thomson Reuters Foundation. (s.d.). [Guia de Resumo das Diretivas CSRD, CSDDD e EAA]

Fim do Módulo

Financiado pela União Europeia. As opiniões e pontos de vista expressos são, no entanto, os do(s) autor(es) e não refletem necessariamente os da União Europeia ou da Agência Executiva Europeia para a Educação e Cultura (EACEA). Nem a União Europeia nem a EACEA podem ser responsabilizadas pelas mesmas.

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