Módulo 1 – Introdução à Inclusão de Pessoas com Deficiência
A deficiência abrange diversas condições físicas, cognitivas, sensoriais e emocionais que podem limitar a forma como uma pessoa funciona na vida quotidiana.
Refere-se não só à perda de funções, mas também às barreiras que a sociedade cria ao não se adaptar às suas necessidades. Cada deficiência é única, afetando cada pessoa de forma diferente.
Acessibilidade: esta é a condição que ambiências, processos, bens, produtos e serviços, bem como objetos, instrumentos, ferramentas e equipamentos devem cumprir para serem compreensíveis, utilizáveis e exequíveis por todas as pessoas em condições de segurança e conforto e da forma mais autónoma e natural possível.
Inclusão É uma abordagem social que reconhece e valoriza as capacidades e o potencial únicos de cada indivíduo, procurando garantir que todas as pessoas sejam membros ativos da sociedade em pé de igualdade.
Capital próprio O processo de ser justo para com todas as pessoas e grupos, abordando a desigualdade atual e histórica para trabalhar a favor da igualdade de resultados. A equidade pode envolver o uso de medidas especiais temporárias para compensar o preconceito e a discriminação históricos e sistémicos enfrentados por grupos marginalizados.
Foram feitos progressos, mas continuam a existir disparidades significativas. Em Espanha, apenas cerca de 28,1 % das pessoas com deficiência estão empregadas, em comparação com 51,71 % da população em geral. A sua taxa de desemprego é também consideravelmente mais elevada, situando-se nos 19,71 % contra 11,81 %.
As barreiras ao acesso ao emprego afetam diretamente a autoestima e limitam a capacidade de construir um caminho para a vida independente.
Deficiência física ou motora:
Este tipo de deficiência afeta a mobilidade de uma ou mais partes do corpo. Dentro desta categoria podemos distinguir dois subtipos:
Funcional Envolve dificuldades no funcionamento do corpo, tais como como andar, mover ou manipular objetos.
Biológico Afeta órgãos internos e pode não ser visível.
Por exemplo, doenças cardíacas ou respiratórias que limitem um capacidade física de uma pessoa.
Deficiência sensorial:
Este tipo de deficiência afeta um ou mais dos sentidos. As deficiências sensoriais mais conhecidas são as visuais e auditivas, mas também pode afetar a fala, o tato, o paladar…
Deficiência intelectual:
As pessoas com deficiência intelectual podem ter dificuldades de aprendizagem, raciocínio e adaptação à vida quotidiana. Contudo, essas dificuldades não significam que não possam desempenhar trabalhos qualificados.
Incapacidade psicossocial:
Isto está relacionado com a saúde mental, como depressão, esquizofrenia ou transtorno bipolar. A saúde mental é precisamente um dos aspetos de que as empresas mais cuidam para os seus colaboradores. Que tal dar um passo em frente e incorporar o talento de pessoas com deficiência psicossocial na sua empresa?.
Múltiplas deficiências
A deficiência múltipla ocorre quando uma pessoa apresenta dois ou mais tipos de deficiência, como física, sensorial ou intelectual.
Um modelo baseado em tradições e crenças morais e/ou religiosas. Neste modelo, a deficiência é vista como um defeito causado por falha moral ou pecado, pelo que a deficiência está geralmente associada a sentimentos de vergonha e/ou culpa.
De acordo com o modelo tradicional, moral ou religioso, a deficiência implica dependência e vulnerabilidade, levando à caridade e à cura. Na verdade, como veremos, esta abordagem coincide em parte com o quadro teórico do modelo médico, reabilitador ou individual, que manteve a ideia de que “as pessoas com deficiência deviam ser tratadas com condescendência, abençoadas, deixadas morrer da sua doença, institucionalizadas, curadas ou reabilitadas”.”
Segundo o modelo médico, reabilitador ou individual, ter uma deficiência é sinónimo de possuir um corpo defeituoso, lesado ou deficiente que condiciona e restringe a experiência de vida da pessoa com deficiência.
A deficiência é atribuída ao indivíduo e é vista como uma variação negativa ou desvio da norma biológica. O modelo médico, reabilitador ou individual baseia-se na ideia de que os problemas e dificuldades vivenciados pelas pessoas com deficiência estão diretamente relacionados à sua deficiência física, sensorial ou intelectual.
Modelo Social e de Direitos: O conceito central da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência de 2007. As barreiras no ambiente são o que criam a deficiência; a falta de acessibilidade obstrui.
A premissa fundamental é que são pessoas com direitos, com foco nas suas capacidades e funcionalidade. Serviços, edifícios, espaços, ofertas, transportes e materiais devem ser inclusivos e acessíveis.
Este modelo tem as suas raízes nos movimentos sociais das décadas de 1960 e 1970 e afirma que:
Os problemas enfrentados pelas pessoas com deficiência não são causados pelas suas limitações, mas pela forma como a sociedade falha em organizar-se de modo a permitir a inclusão das pessoas com deficiência, transitando de um problema médico para uma questão de direitos humanos.
O objetivo é “promover, proteger e assegurar a plena e igualitária fruição de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com deficiência, e promover o respeito pela sua dignidade inerente”.
Respeito pela dignidade inerente e pela autonomia individual, incluindo a liberdade de tomar as próprias decisões.
O principal argumento positivo é que a inclusão deixa de tratar a deficiência como um problema médico ou de caridade e reconhece-a como uma questão de direitos humanos.
A inclusão baseia-se no “reconhecimento da dignidade e do valor inerentes” de todas as pessoas. A discriminação baseada na deficiência é, portanto, uma “violação da dignidade”. O objetivo da inclusão é promover e proteger o “respeito pela sua dignidade inerente”.
A inclusão é positiva porque garante a “universalidade, indivisibilidade, interdependência e inter-relação de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais”. Sem inclusão, os direitos das pessoas com deficiência são violados em todo o mundo.
A inclusão promove o “respeito pela diferença e a aceitação das pessoas com deficiência como parte da diversidade humana e da humanidade”.
Pergunta Aberta: Depois de tudo o que vimos, como definiria uma barreira?
Barreiras à inclusão dentro das estruturas organizacionais são frequentemente sistémicas e estão enraizadas em processos formais e informais, políticas e normas culturais. Estas barreiras impedem os funcionários, particularmente os de grupos sub-representados, de sentirem um sentido de pertença, de terem oportunidades iguais e de contribuírem plenamente.
Políticas e Práticas Discriminatórias:
A falha em fazer ajustamentos razoáveis para indivíduos com deficiência (por exemplo, falta de rampas, tecnologias adaptativas ou plataformas online acessíveis) exclui-os fisicamente de plena participação.
Diferenças na língua, estilos de comunicação e normas culturais, se não forem geridas e compreendidas proactivamente, podem levar a mal-entendidos e interpretações erradas.
As sessões pontuais de formação sobre diversidade são frequentemente insuficientes. Sem educação contínua sobre tópicos como competência cultural, leis antidiscriminação e práticas inclusivas, os funcionários podem, involuntariamente, envolver-se em comportamentos de exclusão.
Os colaboradores e, por vezes, os líderes podem resistir a iniciativas de Diversidade & Inclusão devido ao medo da mudança, à crença de que o seu próprio estatuto está ameaçado, ou à perceção de que os esforços de inclusão são meros “exercícios de carimbar” em vez de práticas empresariais essenciais.
A existência de “grupos internos” e de redes informais de mentoria/patrocínio que favorecem empregados de origens dominantes pode levar ao isolamento de outros, bloqueando efetivamente o seu acesso a oportunidades de progressão na carreira.
Cenário: A gerência decidiu realizar a sua próxima reunião trimestral num edifício histórico recentemente restaurado. Um funcionário chamado Klaas, com deficiência física ou motora, relata que a única casa de banho disponível no piso da reunião requer a subida de três degraus, pois o Design Universal não foi implementado durante a restauração.
Título: Inclusão em Ação: Os Seus Primeiros Passos
Instrução:
Vamos traduzir o que aprendeu em mudanças práticas que poderá implementar no seu local de trabalho atual ou futuro.
Instruções para o Aluno:
Pense na sua organização (ou numa anterior com a qual esteja familiarizado). Utilize os seguintes tópicos para orientar o seu planeamento.
Tarefa:
Tempo Estimado para Conclusão: 10 minutos
Escreva nas suas notas e guarde para referência futura.
Agora que leu o estudo de caso, reserve um momento para refletir sobre o seguinte:
Tempo estimado: 5–7 minutos
Escreva as suas reflexões nas suas notas ou diário de aprendizagem.
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